Doha, 26 out (Prensa Latina) Líderes do Conselho Nacional de Transição (CNT) enfatizaram no Ocidente sua proclamação de uma "Líbia livre" regida pela Lei Islâmica, enquanto pediram hoje à OTAN manter sua missão, ao menos até finais do ano.
Servidores públicos do autoproclamado governo interino líbio se esmeraram em Trípoli para esclarecer as características do pretendido Estado às potências da Organização do Tratado do Atlántico Norte (OTAN) que lhes ajudaram a derrubar e assassinar Muamar Kadafi.
O esclarecimento seguiu ao discurso do domingo último em Benghazi do chefe do CNT, Mustafa Abdul Jalil, que anunciou que "como país muçulmano, adotamos a Sharia (Lei Islâmica) como fonte de Direito", e citou exemplos que alarmaram os Estados Unidos e Europa.
Jalil, que assistiu nesta quarta-feira em Doha a uma coletiva organizada por Catar para perfilar o futuro de Líbia, afirmou então que "qualquer lei que contradiga os princípios islâmicos será abolida legalmente", além de que se modificariam outros regulamentos.
A respeito defendeu novas leis islâmicas para limitar os interesses dos bancos e chamou a eliminar restrições à poligamia vigentes sob o mandato de Kadafi, ainda que seja aceito pelo Islã.
"A lei do casal e o divórcio, que tem que ver com a poligamia, vai contra a Sharia e agora será freada", apontou Jalil abrindo a possibilidade de que os homens tenham até quatro mulheres, segundo se permite na religião muçulmana.
Porta-vozes do CNT insistiram hoje em que se tratou de "um exemplo", mas defenderam que o futuro governo se apegará ao islamismo moderado como em outras nações árabes nas quais rege a Sharia.
Por outro lado, Jalil considerou aqui que a OTAN, cujos bombardeios durante sete meses devastaram Líbia, deve continuar sua missão até finais de 2011 para "ajudar a impedir que leais a Kadafi fujam do país", se se levanta a zona de exclusão aérea imposta pela ONU.
Ao falar em uma coletiva nesta capital catari, o chefe da insurgencia pediu ajuda técnica e logística aos países vizinhos e amigos" como Catar, cujas autoridades admitiram hoje, pela primeira vez, o envio de centenas de soldados à Líbia para lutarem junto aos sublevados do CNT.
O emirado do Catar foi um dos primeiros países a reconhecer o CNT como autoridade legítima na Líbia e forneceu publicamente ajuda em armas, água e mais de 400 milhões de dólares, além de propiciar a comercialização do petróleo libio a terceiros.
A coletiva teve como propósito discutir como os chamados aliados podem ajudar às novas autoridades a impor estabilidade em uma nação onde aproveitaram e incentivaram velhas rivalidades tribais para debilitar e desmantelar o governo de Kadafi.






0 comentários:
Postar um comentário